terça-feira, 3 de novembro de 2009

Universidade


Tive minha primeira aula ontem no Master Oficial em Comunicação e Jornalismo, na Universidad Autónoma de Barcelona (na foto, a Faculdade de Ciências da Comunicação). A turma é formada por alunos do mundo inteiro: três brasileiras, duas gregas, un venezuelano, uma argentina, uma ucraniana, além de espanhóis, catalãos e gallegos. Gostei dessa mistura, vai ser muito rico esse contato.
A Autónoma fica fora de Barcelona, em Bellaterra. É um lugar muito bonito, entre montanhas e muitas árvores, que ainda vou descobrir as espécies, bem diferentes da vegetação do Cerrado que estou acostumada...
Hoje fui lá pra levar a documentação da minha matrícula e procurei o Serviço de Idiomas. É que por onde ando, escuto as pessoas falarem mais em catalão do que em espanhol, e é horrível não entender nada. De imediato me matriculei no curso de Catalão para estrangeiros e meia hora depois já assisti à primeira aula.
Sabe, pela primeira vez entendi um pouco do catalão que o professor falava. Ele explicou que o idioma é muito parecido com outras "lenguas románicas". E é verdade. Cada aluno traduziu um texto catalão para sua língua de origem: português, italiano, espanhol, francês. Até fiquei mais tranquila, acho que vou aprender.

Próxima estación, Universidad Autónoma


Pela primeira vez, andei no tal trem. Imaginava que seriam aqueles trens antigos, mas é igual metrô. Eu, matuta, fiquei no Ferrocarriles esperando algum que viesse escrito “S55 Universidad Autónoma” e nada de ele passar. Tinha que chegar lá às 16 horas, pra fazer minha matrícula, claro que minha matutice me atrasou. Vi um monte de estudante com a pastinha verde da Autónoma. Todos partiram antes de mim, porque eu tava esperando o S55. Devia tê-los seguido, claro. Meia hora de espera, percebi que havia algo errado. Me explicaram que eu tinha de pegar o "S2 Sabadell", que ia até lá. Ah tá, essa informação não tava escrita em lugar algum.
Na saída da Autónoma, me perdi. Vi que sou o contrário da maioria: consigo chegar aos lugares, não sei é voltar. Dentro da universidade, não encontrava mais de jeito nenhum a estação de trem. Era noite, estava escuro e eu cada vez mais longe do campus. Voltei tudo de novo, mas não achava o caminho. De tanto descer e subir e de tanta pressa e nervosismo, tive um princípio de crise asmática. Tava ficando desesperada e me senti de fato perdida. Nem entendia a explicações que me davam. Até que uma mulher se dispôs a me ajudar: em catalão! Aí foi pra acabar, não entendi nada.
Segui meu instinto e só Deus sabe a emoção que senti quando ouvi o barulho do trem. Hoje, no claro, vou andar tudo ali no campus pra não me perder de novo. Foi um alívio ouvir aquela voz: “Próxima estación, Gràcia”. Nada como se encontrar.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Ambientação


Estes primeiros dias em Barcelona são de ambientação. Estou buscando um lugar onde exista uma comidinha mais ou menos, mas tá difícil. No domingo, fui a um pub inglês, Bristol Blue, na Torrent de l'Olla, pertinho aqui do apartamento. Lá o cardápio não tinha aperitivos, mas trazia cervejas do mundo inteiro, inclusive a brasileira Brahma.
Jantamos em um restaurante, que nem me lembro o nome porque o atendimento lá foi muito fraco. Tomei uma Fanta Laranja, que não é alaranjada, é amarela, e comi uma ternera, que dizem que é carne bovina, mas acho que o povo aqui não sabe o que é isso. Eu e Aleixa fomos embora depois que chegou um grupo de senhoras divorciadas falando alto. Por que elas estavam tão eufóricas eu não sei.
Hoje tomei café da manhã às 11 horas, no Jamaica Coffee Shop, na Carrer de Córsega. Até agora, o melhor lugar que já comi: sanduíche de frango e suco de laranja. Adoro o básico. No almoço, às 15 horas, não fui tão feliz. Entrei em um restaurante turco, onde achei que arrasariam na ternera. Cruz credo, deixei tudo no prato, paguei 11,70 euros e fui embora. Ninguém merece.

domingo, 1 de novembro de 2009

Noitada no Gràcia 2


No Almodo-Bar, conheci Xavi, um espanhol de 34 anos muito divertido. Dancei e ri muito com ele. Um trecho da conversa:
- Liana, você está em Barcelona há quantos anos?
- Anos? Cheguei ontem!
- Não acredito. Você fala espanhol muito bem.
É sério, ele ficou repetindo isso, daí fiquei me achando. Até que deu 6 horas da manhã e os seguranças mandaram todo mundo ir embora. Nunca havia sido expulsa assim, mas me disseram que isso aqui é normal. No Brasil, eles são mais sutis.
Na porta do bar, outros seguranças pediam para fazermos silêncio. Vi um rapaz pintado e pedir pra tirar uma foto com ele.
- Claro, brasileira.
- Como você sabe?
- É o seu sotaque.
- Tenho sotaque? Você é de onde?
- Sou argentino.
Só podia.

Noitada no Gràcia 1


Aleixa reuniu uns amigos em casa, para um jantar. Ri muito das histórias que entendi. Quando Gemma e Ruth começaram a conversar em catalão, vi que vou ter que pegar umas aulinhas pra aprender esse idioma, que é oficial como o castelhano. Entre as amigas de Aleixa, uma era equatoriana e outra alemã. Vieram pra cá há uns dez anos e aqui mesmo ficaram.
Para o jantar, todos trouxeram comida. Comi a tal tortilla de patatas e outras coisas que não aprendi o nome. Já estou conhecendo a variedade de cervejas, Mahou e Estrella são boas. Não são assim uma Antártica gelada no fim do expediente com os amigos do HOJE, mas está valendo.
Aqui tudo é muito tarde. Depois do jantar, saímos para a balada, à 1h30. À pé, fomos até o Almodo-Bar, uma discoteca decorada para o Halloween. Lembrei de vários amigos em momentos diferentes. Precisei do Luizano para me ajudar a identificar uma bebida conhecida. Tomei uma vodka em homenagem à Karina. Quando a galera começou a dançar em cima do palco, lembrei das baladas que a Luana gosta. Procurei a Vanessa pra gente decidir quem era o "eleito" da noite.
As músicas de balada, aliás, são universais. Tocou de tudo, até Elvis Presley. E fiquei eufórica quando o DJ passou "La camisa negra", do Juanes. Mas aí começaram umas músicas espanholas: todo mundo cantava em voz alta, fechava os olhos, dançava e se emocionava. E eu ali, sem entender nada. Parecia quando o Durval Lélis cantava "Duas Medidas" na Micarê Candanga. Daí me senti a "gringa", como o Demian me disse que me sentiria.
Mas gostei de tudo. Só queria dividir momentos assim com meus amigos.

sábado, 31 de outubro de 2009

Vida noturna


A vida aqui é noturna. Lojas, papelaria, padaria, tudo fica aberto até tarde da noite. Aleixa me explicou que devemos dizer "são oito horas da tarde". Vou ter me adaptar a esse ritmo tão diferente do Brasil, onde às seis se para tudo.
Agora há pouco fui ao mercado, aberto à noite. Entre tantos doces, encontrei um kibe frito que me animou. Mas ele estava frio.

Primeira noite


A primeira noite em Barcelona chegou muito cedo para mim. Aqui são três horas a mais que Brasília. O bairro Gràcia é realmente é uma "gracia", com o perdão do trocadinho. Ruas estreitas, edifícios antigos, muitos bares e restaurantes, muitas crianças e gente do mundo inteiro. Aluguei um quarto no apartamento da Aleixa, uma espanhola de 30 anos muito gente boa.
Saímos à pé, como se costuma fazer aqui no bairro. Fomos a um bar chamado DLuz. Tomamos um chopp e comemos uma porção de jamón (presunto) com torradas. Expliquei pra ela que eu gosto mesmo é de comer Maria Isabel, farinha de puba e chambari. Hahahaha. Ela ficou interessada na carne de sol, mas não dá pra fazer aqui, nem sei fazer como o meu pai.
Ah, no balcão tinha uma Ypióca, made in Brazil. Tive que fotografá-la junto com o garçom gatinho. Rs.

Taxista


Do Aeroporto de Barcelona até o bairro Gràcia, onde vou morar, fui conversando com o taxista. Disse que se chamava Juan, é filho de mãe gallega e pai espanhol. Me contou que Barcelona é uma cidade muito bonita e os índices de violência, baixos. Mas me alertou que há muita "mão leve" na cidade, para ter cuidado com furtos. No caminho, vi um casal de idosos sentados em um banquinho na Gran Via. Tentei fazer uma foto deles, mas um carro passou na frente. Preciso de uma máquina fotográfica mais potente.
Fiquei encantada com a arquitetura antiga dos edifícios. Há muita coisa para fotografar aqui. O taxista me disse que o filho namorou uma mulher de Salvador, mas que o namoro não foi adiante porque ela fazia “bruxaria”. No final das contas, disse que o filho tem 28 anos e que é esportista e muito bonito. Perguntou se queria conhecê-lo e ser namorada do rapaz. Hahahaha.
Bom, encontramos o apartamento da Aleixa, mas pedi que me deixasse em um restaurante, porque ela só chegaria uma hora depois. Na hora de ir embora, ele me deu o telefone e do filho. Disse que na verdade se chama Alfonso. Revelou que não me disse o verdadeiro nome porque não confia em estranhos. “Então agora o senhor confia em mim?”, perguntei. “Agora confio.”
E seguiu falando: “Meu filho é muito educado e bonito. Liga pra ele.”

Orelhão


Foram 8 horas e 45 minutos de voo até Lisboa. Cheguei louca pra encontrar uma lan house. Supercaro: 4,50 euros a hora. Tuitei bastante até a hora de embarcar para Barcelona. Ficamos uma hora dentro do avião parado por causa da forte neblina. Foi uma hora e meia de voo e muita dor de cabeça na hora de aterrissar.
Cheguei ao Aeropuerto del Prat, em Barcelona, com as costas moídas da noite mal dormida. Precisava avisar a meus pais que estava tudo bem. Procurei em algumas lojas uma "tarjeta" (cartão) para telefonar. Ninguém sabia onde encontrar. Achei um rapaz usando o orelhão e lhe perguntei:
- Dónde encuentro una tarjeta?
- Necesitas de una moneda de un euro.
- Ah, muchas gracias.
- Você é brasileira?
- Sou.
- Eu também.
Hahahaha... Aqui há muito brasileiro, só não entendi como ele me identificou. Pensei que estava arrasando no Espanhol. Rs.

Adiós, Brasília


Aeroporto JK, em Brasília. Parei em frente às portas de vidro da sala de embarque. Por alguns instantes não ouvia o que meus familiares me diziam. Só pensava: ao passar por aquela porta, muita coisa vai mudar. Respirei fundo e me despedi das pessoas que amo. Uma nova etapa da minha vida começava naquele momento.